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Review: Breaking Bad 1x01 "Pilot" [Retrô]


"É crescimento, decomposição, e em seguida, transformação"

Exibição: 20 de Janeiro de 2008
Roteiro: Vince Gilligan
Direção: Vince Gilligan

Um homem, comum, daqueles que que ninguém dá nada por ele. Walter Hartwell White, nome completo do personagem principal da série que é dito em seus primeiros minutos, ao vermos, sem entender nada, um senhor de idade de cueca dirigindo loucamente um trailer no meio do deserto. Prontamente o personagem coloca o revolver em seu queixo, em tom de suicídio. Assim começa Breaking Bad, com um pequeno flashforward que é resolvido após seus primeiros quarenta minutos, e que, ao avaliarmos esses momentos após o fim da série, faz todo, exatamente, todo sentido.

A história de Breaking Bad foi sendo desenvolvida. Ninguém, nem mesmo o criador Vince Gilligan sabia como terminaria a série. Tinha um esboço em sua mente e foi desenvolvendo o seu enredo temporada por temporada, cada vez mais melhorando a história, inserindo detalhes, sem deixar de amarrar todas as pontas, essas, criadas logo em seu início.

O piloto de Breaking Bad não trouxe momentos impactantes, bombásticos ou empolgantes, daqueles que nos acostumamos a acompanhar em meados da série. Mas foi extremamente bem escrito, cenas muito bem montadas. De cara fomos apresentados aos principais personagens e suas funções, um gancho que foi base para os próximos episódios, e até mesmo, temporadas.


Walter, um cidadão comum, trabalhador, pai de família. Professor de química mal remunerado, desrespeitado por alunos, obrigado a ter outro emprego para sustentar sua família. Família essa que passava por problemas financeiros, sua esposa grávida, indesejavelmente, seu filho adolescente que sofre de paralisia cerebral, enfim. Contra tudo e contra todos, Walter seguia sua vidinha sem emoções, cuidando de sua família, aos trancos e barrancos, quando uma notícia mudou definitivamente sua vida.

Um câncer de pulmão que lhe daria muito pouco tempo de vida, inoperável, segundo os primeiros exames. Ele poderia agir de duas formas: aceitar, morrer, deixar sua família no abismo financeiro, sem o seu arrimo... Ou usar do pouco tempo de vida que restava para juntar dinheiro e deixar sua família um pouco mais tranquila com a sua ausência. 

Segunda opção.

O Piloto nos mostra a maneira que Walter conseguiria isso, e naquele momento, todos nós avalizamos sua atitude. Walter resolveu usar de sua desvalorizada sabedoria e cria uma versão da Metanfetamina - mais viciante, mais impactante, enfim - e recruta seu ex-aluno Jesse que se encarregaria da venda. Apenas um objetivo tinha em mente: deixar um dinheiro significativo para sua família e morrer em paz. Mas óbvio que não seria tão simples assim.

A criminalidade dá à pessoa dois caminhos, normalmente: cadeia ou caixão. Caixão estava "garantido" para Walter, cadeia seria um problema para ele, mas teria que arriscar, não teria muita coisa a perder. O piloto insere os primeiros problemas que Walter teria que enfrentar, ao lado de seu parceiro Jesse: Emílio e Crazy-8, os primeiros criminosos que Walter enfrentaria. Logo na primeira tentativa de vender seu produto, gerou momentos tensos que culminaram no seu primeiro assassinato, justificável, uma legítima defesa.

Acompanhamos o início da transformação do personagem, causada diretamente pelo câncer: largou seu emprego no lava-jato, mandando seu chefe para "aquele lugar"; não tolerou o bullying sofrido por seu filho; forçou Jesse, seu ex-aluno, a entrar no negócio (ou vende ou te mando pra cadeia); enfim, Walter chutou, definitivamente, o balde. 

O episódio termina se encaixando com os seus primeiros momentos, dando concordância e significância a todos os momentos anteriores. Ali, Walter cometeria suicídio, ele tentou e não conseguiu. Por ironia do destino a arma falha, dando a ele uma chance, talvez um sinal que deveria seguir em frente. Walter saiu dali revigorado, empolgado, determinado, imbuído a conseguir seu objetivo, além de estar animado com os prazeres da vida, sexualmente falando, diga-se.


Um episódio que a primeira vista não empolga, mas é uma peça extremante importante para toda a série, pois há referências dele até mesmo nos seus momentos finais. A empolgação é absurda a cada vez que re-assistimos o piloto, pois nos deparamos que, tudo, exatamente tudo, teve relevância.

Breaking Bad é uma série que podemos comparar com um barril de pólvoras, e o seu pavio foi muito bem aceso com o seu piloto. Nascia aqui uma das melhores séries de todos os tempos, quiçá, a melhor.

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Nota do editor: início da coluna "Retrô", que tratará dos episódios não cobertos pelo site. Temos as colunas "Reviews" e "Easter Eeggs e Curiosidades" a partir da 4ª temporada, agora vamos começar a publicar sobre os episódios das três primeiras temporadas, fiquem ligados!