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Entrevista de Bryan Cranston para o Deadline Hollywood

Bryan Cranston, 54 anos, trabalha como ator há mais de três décadas, apesar de fazer inúmeros papéis anônimos na maior parte do tempo. Há dez anos, foi escalado para fazer um desafortunado pai de família na comédia Malcolm in the Middle e, de repente, tudo mudou. Geralmente um ator tira a sorte grannde apenas uma vez, mas para Cranston aconteceu duas. Seu segundo grande papel é o do mega-intenso professor de química que vira fabricante de metanfetamina Walter White na série Breaking Bad. Série pela qual o ator já levou dois prêmios Emmy e está na corrida pelo terceiro. Esse ano ele concorre com Michael C. Hall (Dexter), Kyle Chandler (Friday Night Lights), Jon Hamm (Mad Men), Hugh Laurie (House) e Matthew Fox (Lost). Bryan Cranston conversou com Ray Richmond para uma matéria do Deadline Hollywood sobre como Walt se parece com Tony Soprano e o porquê do medo que o ator tem de dizer alguma coisa idiota na noite do Emmy. A entrevista você confere logo abaixo:

Deadline Hollywood: É difícil pensar em personagens mais diferentes que Hal e Walter. É ainda mais difícil pensar que o mesmo ator fez os dois papéis.


Bryan Cranston: É exatamente por isso que olho para o fato de poder fazer o Walter como o presente da minha vida. Jason Alexander  sempre falou de como a transição de sua saída de Seinfeld foi difícil. Nós realmente nos tornamos vítimas do nosso próprio sucesso. Eu gastei sete anos desenvolvendo e fortalecendo meu personagem em Malcolm e agora tento me “livrar” de tudo aquilo para não ter que viver na sombra daquele personagem. Felizmente, as pessoas atraídas pelo material que temos feito em Breaking Bad não são, em geral, as mesmas que eram fãs da comédia que fazia.

DH: Mas você não era a escolha mais óbvia para o papel de um professor de química com câncer terminal que vira fabricante de metanfetamina. Como foi que Vince Gilligan te contratou?

BC: Bem, Breaking Bad foi um dos quatro scripts de séries que chegou na minha casa, e tinha uma nota do meu agente mencionando que foi escrito pelo cara com qem eu trabalhei quando fiz uma ponta em The X-Files. Eu li ele antes mesmo de olhar os outros e não tinha idéia nem mesmo do que o termo “breaking bad” significava. Mas a série já me ganhou na primeira página. Eu liguei para o meu agente, que me disse que os testes começariam na semana seguinte. Eu disse a ele que semana que vem já seria tarde demais. Eu sabia que se outros atores vissem primeiro, seria muito difícil. Então insisti em começar imediatamente.

DH: O resto do material era parecido com a comédia que você fazia?

BC: Exatamente. Em geral, eram papéis derivados do que eu já havia feito em Malcolm. Ninguém entendia porque eu descartaria esse tipo de material. E é claro que esse era exatamente o motivo de descartá-los. Esse é o melhor papel da minha vida. Eu sou mais agradecido por isso do que alguém pode imaginar. É quase uma versão do Tony Soprano. A grande diferença é que enquanto Tony em seu meio enquanto criminoso, Walter White é um peixe fora da água.

Vince, eu e toda a equipe de produção estamos tentando fazer algo nunca feito na história da televisão, que é transformar seu protagonista de um tipo de pessoa a outro completamente diferença. Sou grato a caras como David Chase por construírem um caminho para personagens como este. Me sinto muito honrado e feliz por toda a situação em que me encontro.

DH: O que você achou da direção sombria que a terceira temporada tomou?

BC: Para mim, é a melhor temporada. De verdade. Os roteiristas e produtores elevaram a série a outro nível esse ano.

DH: Mas vocês só voltam para a 4ª temporada em julho de 2011?

BC: Eu acho que a AMC pensa que teremos menos competição em Julho que em Março, que foi quando lançamos a 3ª temporada. is thinking is there will be less competition in July than there was in March, when we launched Season 3. Mas iremos filmar mini-episódios de 3 a 4 minutos cada para colocar no site da AMC. E eu não quero que eles sejam fillers, mas histórias de verdade. Se vamos fazer isso, gostaria que fizesse parte de algo maior.

DH: Você está fazendo muitos projetos durante as férias da série?

BC: Sim, estou desenvolvendo alguns projetos e tenho um, em especial, que estou escrevendo e dirigindo, se chama Meet the Murphys. Terminei meu trabalho em Larry Crowne e John Carter of Mars. Além disso, estou filmando outro filme. É interessante que no começo de carreira, todo ator aceita tudo que aparece no caminho. Você acaba entrando no automático dizendo “sim” para tudo quando, às vezes, tem que dizer “não”. Eu, finalmente, cheguei no ponto em que devo ser cuidadoso com minhas escolhas, que é uma posição incrível. Mas eu não consigo nem antecipar nem sentir onde essa jornada vai me levar.

DH: Então, no dia 29 de Agosto você pode vencer seu terceiro Emmy seguido depois de perder três seguidos por Malcolm In The Middle.

BC: Sim, é uma possibilidade que eu mal posso entender. E tudo que eu consigo pensar é que, se ganhar de novo, que não chegue lá e diga algo estúpido que eu vou ter de pedir desculpas mais tarde.

DH: Isso realmente é algo que te preocupa a esse ponto?

BC: Com certeza. Você não quer ser presunçoso a ponto de escrever todo um discurso, mas ao mesmo tempo quer ter pelo menos uma idéia do que dizer para não ser pego desprevinido na hora da premiação. Porque, devo confessar, quando você sobe naquele palco é um momento muito surreal. Tudo se move na velocidade da luz e um milhão de pensamentos passam pela sua cabeça. E ninguém quer ver a pessoa lá em cima engasgando nas próprias palavras com “Oh, um, uh, wow.” Isso tem seu charme nos primeiros 1,5 segundos, depois fica chato e irritante. Eu não tenho nem idéia do que disse nas duas primeiras vezes que ganhei.
Fonte: Deadline Hollywood 
Fonte: Seriaudio

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